GT gênero da REBRIP - voltar
 
PROGRAMA DE FORMAÇÃO EM MACROECONOMIA E COMÉRCIO INTERNACIONAL SOB UMA PERSPECTIVA FEMINISTA
 

Esta proposta de formação surge como desdobramento e resultado de iniciativas implementadas pela Rede Internacional de Gênero e Comércio - IGTN (sigla em inglês) a partir de 2003 dentro do seu eixo de capacitação global. As experiências metodológicas e didáticas resultantes dessas iniciativas foram disponibilizadas para o GT Gênero da Rede Brasileira pela Integração dos Povos - REBRIP a partir de ações de formação organizadas pelo Instituto EQÜIT e o Ponto Focal Brasil da IGTN.
Em outubro de 2006, o Instituto EQÜIT, então na coordenação do GT Gênero da REBRIP, propôs em uma reunião ampliada que o GT assumisse maior responsabilidade direta sobre o Programa de Formação. Assim, as entidades-membro do GT Gênero aceitaram assumir o Programa com seu acúmulo de experiências. Para viabilizar essa nova etapa foi criado um grupo de apoio ao Programa, que desenvolveu a presente proposta teórico-metodológica para definir as bases político-conceituais para sua implementação.
Os principais objetivos do Programa são: 1 - Contribuir para a compreensão da relação existente entre comércio, desenvolvimento e gênero; 2 - Desenvolver atividades de educação popular junto a grupos de mulheres ou mistos sobre oportunidades, desafios e estratégias relativas aos acordos comerciais; 3 - Promover a formação política com perspectiva feminista das mulheres organizadas; e 4 - Desenhar metodologias e produzir materiais didáticos para apoiar os diversos processos de formação das entidades-membros e divulgação do tema.
Tendo-se em vista as dimensões continentais do Brasil e sua importância estratégica para as negociações comerciais na América Latina e internacionalmente, é de suma importância o fomento da participação da sociedade civil através de iniciativas que apontem para a sensibilização e democratização do debate em nossa sociedade. Dentro deste contexto, além do enfoque da questão do comércio internacional sob uma perspectiva de gênero, busca-se contribuir com o empoderamento das mulheres através do seu envolvimento nos processos de integração regional. Desse modo, o movimento de mulheres poderia avançar na formulação de propostas alternativas para incidir sobre os governos nas negociações comerciais.
Assim, o objetivo geral que orientou esse projeto era o de contribuir com a equidade de gênero e com o empoderamento feminino através da formação de mulheres de diversos setores e regiões do país nos temas macroeconômicos, especialmente do comércio internacional na perspectiva de gênero. Os objetivos específicos definidos eram: desenvolver metodologias adequadas a esse processo de formação; avançar na reflexão teórica através do resgate das experiências empíricas; e, contribuir com a criação de um modelo de monitoramento e avaliação do processo de capacitação em si.
Em relação à metodologia desenvolvida para as Oficinas de Capacitação se pode destacar o seu caráter participativo e vivencial, que valoriza a perspectiva teórica de Paulo Freire de capacitação popular e contribui com a construção de conhecimento a partir da prática cotidiana dos envolvidos no processo de aprendizagem. Nota-se que os temas tratados são um tanto abstrato para a realidade da população, precisando chegar a todas e todos de uma forma simples levando-se em consideração as próprias experiências do público na formação. Desse modo, tal metodologia busca facilitar o acesso a estes temas daquelas pessoas, especialmente mulheres, que em sua atuação pública (como sindicalistas, lideranças populares ou do movimento de mulheres) podem não só ampliar e reproduzir estes conceitos e aprendizados como também participar dos processos políticos decisórios, através das suas entidades ou atuação em diversos espaços da sociedade civil.
Foram realizadas diversas Oficinas de Formação em parceria com entidades participantes do Projeto e com novas entidades que foram se incorporando ao GT, em Recife/PE, Fortaleza/CE, Rio de Janeiro/RJ, São Paulo/SP, São Luiz/MA, Altamira/PA, Belém/PA, Teresina/MA, João Pessoa/PB, Manaus/AM, Rio Branco/AC, Salvador/BA, Maceió/AL, entre outras.
Vale informar que no processo, a incorporação de entidades que não estavam articuladas na fase inicial foi produto do esforço das entidades que assumiram o projeto inicialmente (em particular SNMT/CUT e AMB) e da demanda e esforço de alguns grupos do movimento de mulheres como, por exemplo, o Fórum de Mulheres Cearenses e o Movimento de Mulheres de Altamira/PA.
Também foram realizadas capacitações pontuais e em ocasião de eventos organizados por diversas entidades, tais como: Fórum Nacional de Iniciativas Negras, sindicatos mistos, atividades dos Fóruns Estaduais da Campanha contra a ALCA, atividades em eventos como o 10º Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe e nas diversas edições do Fórum Social Mundial – FSM e suas versões regionais etc. Ao mesmo tempo, foi realizado um evento formativo para a própria Secretaria Especial de Políticas Públicas para as Mulheres - SPM, que contou com a presença de sua equipe técnica, o que representa um público especial em termos das possibilidades de incidência nas políticas e nos âmbitos negociadores.
Com isso, pode-se dizer que o projeto acabou chegando de forma indireta a um número muito maior de mulheres do que o inicialmente imaginado.
É relevante também mencionar que foram de suma importância a concepção, elaboração e distribuição de materiais didáticos que vêm dando suporte conceitual e metodológico ao processo de formação política. Neste contexto, podemos citar: dois vídeos/DVDs formativos intitulados “Alca, resistir é preciso” e “OMC, resistir é preciso”; três manuais didáticos especificamente em Comércio Internacional e Equidade de Gênero, assim intitulados “a economia global: uma visão da mulher”, “Quem ganha e quem perde com os acordos de integração econômica” e “Integração Americana do Século XXI: associação de livre comércio”; entre outros.

 
Definições das estratégias das organizações de mulheres para a integração regional

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Formação em Macroeconomia e Comércio Internacional sob uma Perspectiva Feminista - Seminário de Atualização e de Acordos Políticos - GT Gênero da REBRIP - 16 a 18 de julho de 2007 – Recife/PE
É fundamental que as organizações de mulheres se comprometam a acompanhar os temas da integração e do comércio internacional tratados no GT Gênero da REBRIP. A partir da definição estratégica desse Comprometimento, questão que precisa ser discutida e ratificada no interior de cada uma das organizações membro do GT, podemos assumir o seguinte plano de trabalho: