DESMANTELEMOS O PODER CORPORATIVO – e coloquemos fim à impunidade

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Faz um par de anos, a corrupção tornou-se tema recorrente nas conversas, construindo-se um ódio ingênuo contra os corruptos no país… O problema é que nesse furor raso, nessa sede de justiça cega, que não distingue alvo de algoz ou vítima, estabeleceu-se na cabeça da maioria que, corrupto, é político. E só. Essa visão limitada, não só atinge apenas uma parcela da corrupção e dos corruptos, como sobretudo, abre frente para que os alicerces da corrupção permaneçam inabaláveis: desvia os olhares da real doença, para os sintomas…

Aprofundando um pouco mais o tema, a ver quais são as estruturas condicionantes do sistema capitalista e corrupto, entendemos que acima dos poderes do Estado estão e sempre estiveram os interesses privados de uma parcela mínima de endinheirados. Ricos muito ricos mesmo. Desses que nunca saem às ruas. Nós não lhe conheceremos o rosto jamais. O Estado mesmo é uma invenção dessa mesma elite, e sempre foi um subordinado de seus interesses.

Com o advento da democracia, aos poucos e com muita batalha, entretanto, as populações foram alcançando conquistas no sentido da igualdade de acesso, direitos universais foram sendo estabelecidos, e o Estado passou a ser uma ponte de duas vias: continuava a controlar a população através do medo e da opressão (não faça isso, ou serás castigado), e também passou a ser uma ferramenta de barganha ou resistência, que de certa forma, regula ou fiscaliza as barbáries cometidas pelo capital privado em nome de um lucro ainda maior. E como o lucro, no capitalismo, precisa sempre aumentar, as formas de concentrar renda e sofrimento também mudaram: se antes havia escravos arrancados de seus continentes e comercializados como peças, hoje o poder corporativo acumulou tantas indústrias em tão poucas mãos, que lhes sai mais barato pagar um salário medíocre aos locais, deixando-os em eterna disputa pelo melhor emprego, a ilusão pré-paga, a subsidiar todos os gastos que um escravo chegava a dar…

Nesse sentido, a campanha DESMANTELEMOS O PODER CORPORATIVO – e coloquemos fim à impunidade vai muito além da novela (entre a das 7 e a das 8) que se passa nos jornais televisivos, escancara que o problema da corrupção tem origem mais precisa nos interesses privados das grandes corporações, do que no próprio Estado, que na verdade, só fez continuar a serviço dos ricos, como manda a tradição.

A campanha global segue, e aqui, o Instituto Eqüit disponibiliza  a todas e todos a contribuição de organizações e movimentos sociais brasileiros para a Segunda Sessão do Grupo Intergovernamental de Trabalho sobre Corporações Transnacionais e outras empresas em relação aos direitos humanos.

Boa leitura!

 

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